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Documento Institucional
Abril 2026
Estudo de Caso

Primeiro lugar no Brasil.
Iniciativa privada como modelo de preservação.

Como a gestão privada transformou uma mina de ouro desativada no geossítio classificado pelo Governo Federal como o de maior relevância turística e educacional do Quadrilátero Ferrífero — sem jamais ter recebido qualquer subsídio ou auxílio público.

Em março de 2026, o Serviço Geológico do Brasil avaliou 24 sítios geológicos do Quadrilátero Ferrífero segundo critérios internacionais. A Mina da Passagem obteve a maior pontuação em relevância turística e educacional — um resultado construído ao longo de quase cinco décadas de gestão exclusivamente privada.

1819
Início da lavra
1979
Abertura ao turismo
1984
Fim da extração
Inventário SGB 2026
Zero
Recursos públicos
Uma decisão que antecipou o seu tempo

Quando a extração de ouro se tornou inviável, os proprietários da Mina da Passagem enfrentaram uma escolha que, à época, não tinha precedentes no Brasil: o que fazer com uma mina subterrânea de mais de 160 anos? O caminho mais fácil — e o mais comum — era o abandono. Minas desativadas em todo o Quadrilátero Ferrífero foram simplesmente fechadas, inundadas ou esquecidas. Algumas se tornaram passivos ambientais. Outras desapareceram.

A Mina da Passagem tomou o caminho oposto. Ainda em 1979 — cinco anos antes do encerramento definitivo da lavra — iniciou-se a adequação do espaço para visitação turística. Naquele momento, o Brasil ainda não possuía legislação específica sobre patrimônio geológico. O conceito de “geoconservação” sequer existia na literatura brasileira. O SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) só seria criado em 2000. O Decreto que regulamenta cavidades naturais subterrâneas é de 2008. A plataforma GEOSSIT, de 2012.

Ou seja: a Mina da Passagem já operava como espaço de conservação e educação havia décadas quando o arcabouço regulatório brasileiro começou a tratar do tema.

Cronologia de uma antecipação
1979 — Abertura ao turismo
A Mina inicia operações turísticas com recursos exclusivamente privados. Não existia legislação, incentivo fiscal ou programa público voltado à preservação de sítios mineiros no Brasil.
1984 — Fim da lavra
Encerra-se a extração de ouro. A atividade turística, já consolidada, garante a continuidade econômica do empreendimento e, com ela, a preservação integral da estrutura subterrânea.
1988 — Constituição Federal
A CF/88 estabelece no art. 216 a proteção do patrimônio cultural brasileiro. A Mina já operava como espaço de visitação havia nove anos.
2000 — Lei do SNUC
Criado o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. A Mina já completava 21 anos de operação turística contínua.
2008 — Decreto 6.640
Regulamentação sobre cavidades naturais subterrâneas. A Mina já acumulava 29 anos de visitação e conservação ininterruptas.
2026 — Inventário do Serviço Geológico do Brasil
O SGB, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, publica o Inventário do Patrimônio Geológico do Quadrilátero Ferrífero. A Mina da Passagem é classificada como 1º lugar em relevância geoturística e 1º lugar em relevância educacional entre os 24 geossítios avaliados — com 375 pontos em ambas as categorias, atingindo o patamar de relevância internacional.

Quarenta e sete anos depois da abertura ao turismo, o reconhecimento veio — não como concessão, mas como constatação. A avaliação que consagrou a Mina da Passagem em primeiro lugar não foi obtida apesar da gestão privada. Foi obtida por causa dela.

Serviço Geológico do Brasil • Ministério de Minas e Energia • 2026
1º lugar em relevância geoturística e educacional
Entre os 24 geossítios avaliados no Quadrilátero Ferrífero • 375 pontos • Patamar de relevância internacional
Plataforma GEOSSIT • Programa Mineração Segura e Sustentável

A classificação obtida não é uma premiação simbólica. É o resultado de uma avaliação quantitativa padronizada internacionalmente, que mede critérios como infraestrutura de visitação, acessibilidade, segurança, condições de observação, potencial didático, beleza cênica e logística — critérios que avaliam, na prática, a qualidade da gestão do sítio, não apenas seu valor geológico intrínseco.

Mina da Passagem — Gestão Privada
Gestão privada contínua desde 1979. Nenhum recurso público recebido. Infraestrutura mantida e modernizada com investimento próprio. Resultado: 1º lugar em relevância turística e educacional. Baixo risco de degradação (165 pts).
Outros geossítios do Quadrilátero Ferrífero
O próprio inventário do SGB registra que diversos geossítios da região encontram-se “em total abandono”, com acessos difíceis, sem infraestrutura para visitação, e “impossíveis de serem utilizados para fins educativos” — apesar de alguns estarem em áreas tombadas ou sob gestão pública.

O contraste é eloquente. Sítios geologicamente comparáveis, situados na mesma região, sujeitos ao mesmo contexto institucional — mas com resultados radicalmente diferentes. A variável que explica a diferença não é a geologia, a localização ou a legislação. É a gestão.

Um paradigma, não uma exceção

A experiência da Mina da Passagem demonstra que a conservação efetiva do patrimônio geológico pode ser alcançada — e sustentada por décadas — pela iniciativa privada, sem depender de transferências públicas, subsídios ou intervenções estatais. O modelo não apenas preservou o sítio: gerou emprego, atraiu pesquisa científica, formou gerações de estudantes e obteve, ao final, a classificação máxima do próprio Estado que jamais precisou intervir.

É razoável considerar que este caso constitui o exemplo pioneiro no Brasil de conversão bem-sucedida de um empreendimento minerário em espaço de conservação e educação geológica sob gestão exclusivamente privada. Se existem outros casos anteriores a 1979, não são de conhecimento público nem constam na literatura especializada consultada pelo SGB.

Ao longo de seus mais de 200 anos de existência, a Mina da Passagem jamais recebeu qualquer auxílio, subsídio, incentivo fiscal ou transferência de recursos públicos de nenhuma esfera governamental — municipal, estadual ou federal. Todo o investimento em conservação, infraestrutura, segurança e adequação turística foi realizado com recursos próprios de seus proprietários e gestores privados. A classificação em primeiro lugar pelo Serviço Geológico do Brasil em 2026 é a validação oficial desse modelo.

O reconhecimento obtido é, portanto, a confirmação técnica de um modelo que funcionou precisamente porque teve autonomia para funcionar. A história da Mina da Passagem sugere que, em matéria de preservação do patrimônio geológico, o melhor que o poder público pode fazer por quem já faz bem é reconhecer — e não substituir.

A conservação do patrimônio geológico brasileiro não precisa ser reinventada.
Em Passagem de Mariana, ela já funciona há quase meio século
— e acaba de ser classificada em primeiro lugar.

Mina da Passagem • Passagem de Mariana, MG • Abril 2026