
Abril 2026
Primeiro lugar no Brasil.
Iniciativa privada como modelo de preservação.
Como a gestão privada transformou uma mina de ouro desativada no geossítio classificado pelo Governo Federal como o de maior relevância turística e educacional do Quadrilátero Ferrífero — sem jamais ter recebido qualquer subsídio ou auxílio público.
Em março de 2026, o Serviço Geológico do Brasil avaliou 24 sítios geológicos do Quadrilátero Ferrífero segundo critérios internacionais. A Mina da Passagem obteve a maior pontuação em relevância turística e educacional — um resultado construído ao longo de quase cinco décadas de gestão exclusivamente privada.
Quando a extração de ouro se tornou inviável, os proprietários da Mina da Passagem enfrentaram uma escolha que, à época, não tinha precedentes no Brasil: o que fazer com uma mina subterrânea de mais de 160 anos? O caminho mais fácil — e o mais comum — era o abandono. Minas desativadas em todo o Quadrilátero Ferrífero foram simplesmente fechadas, inundadas ou esquecidas. Algumas se tornaram passivos ambientais. Outras desapareceram.
A Mina da Passagem tomou o caminho oposto. Ainda em 1979 — cinco anos antes do encerramento definitivo da lavra — iniciou-se a adequação do espaço para visitação turística. Naquele momento, o Brasil ainda não possuía legislação específica sobre patrimônio geológico. O conceito de “geoconservação” sequer existia na literatura brasileira. O SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) só seria criado em 2000. O Decreto que regulamenta cavidades naturais subterrâneas é de 2008. A plataforma GEOSSIT, de 2012.
Ou seja: a Mina da Passagem já operava como espaço de conservação e educação havia décadas quando o arcabouço regulatório brasileiro começou a tratar do tema.
Quarenta e sete anos depois da abertura ao turismo, o reconhecimento veio — não como concessão, mas como constatação. A avaliação que consagrou a Mina da Passagem em primeiro lugar não foi obtida apesar da gestão privada. Foi obtida por causa dela.
Plataforma GEOSSIT • Programa Mineração Segura e Sustentável
A classificação obtida não é uma premiação simbólica. É o resultado de uma avaliação quantitativa padronizada internacionalmente, que mede critérios como infraestrutura de visitação, acessibilidade, segurança, condições de observação, potencial didático, beleza cênica e logística — critérios que avaliam, na prática, a qualidade da gestão do sítio, não apenas seu valor geológico intrínseco.
O contraste é eloquente. Sítios geologicamente comparáveis, situados na mesma região, sujeitos ao mesmo contexto institucional — mas com resultados radicalmente diferentes. A variável que explica a diferença não é a geologia, a localização ou a legislação. É a gestão.
A experiência da Mina da Passagem demonstra que a conservação efetiva do patrimônio geológico pode ser alcançada — e sustentada por décadas — pela iniciativa privada, sem depender de transferências públicas, subsídios ou intervenções estatais. O modelo não apenas preservou o sítio: gerou emprego, atraiu pesquisa científica, formou gerações de estudantes e obteve, ao final, a classificação máxima do próprio Estado que jamais precisou intervir.
É razoável considerar que este caso constitui o exemplo pioneiro no Brasil de conversão bem-sucedida de um empreendimento minerário em espaço de conservação e educação geológica sob gestão exclusivamente privada. Se existem outros casos anteriores a 1979, não são de conhecimento público nem constam na literatura especializada consultada pelo SGB.
Ao longo de seus mais de 200 anos de existência, a Mina da Passagem jamais recebeu qualquer auxílio, subsídio, incentivo fiscal ou transferência de recursos públicos de nenhuma esfera governamental — municipal, estadual ou federal. Todo o investimento em conservação, infraestrutura, segurança e adequação turística foi realizado com recursos próprios de seus proprietários e gestores privados. A classificação em primeiro lugar pelo Serviço Geológico do Brasil em 2026 é a validação oficial desse modelo.
O reconhecimento obtido é, portanto, a confirmação técnica de um modelo que funcionou precisamente porque teve autonomia para funcionar. A história da Mina da Passagem sugere que, em matéria de preservação do patrimônio geológico, o melhor que o poder público pode fazer por quem já faz bem é reconhecer — e não substituir.
A conservação do patrimônio geológico brasileiro não precisa ser reinventada.
Em Passagem de Mariana, ela já funciona há quase meio século
— e acaba de ser classificada em primeiro lugar.